Haverá quatro oficinas. Explore cada uma delas.

 

O1. Escape the Lab: Gamificação e Envolvimento para Comunicar Ciência

[No antigo Observatório Costeiro, prestes a ser demolido, um grupo de comunicadores de ciência encontra o último espólio inédito de Francisco de Arruda Furtado, naturalista do século XIX que trocou cartas e partilhou ideias com Charles Darwin, oferecendo desenhos e manuscritos valiosos que iluminam a disseminação da teoria da evolução em Portugal. Numa das cartas encontradas, o cientista escrevera: 

“O mar avança onde antes havia dunas, e as comunidades recusam acreditar. Os dados existem, mas sem narrativa, permanecem invisíveis.”

Para salvar este legado e revelar a ligação entre rigor científico e narrativa, têm 180 minutos para decifrar os seus documentos inéditos e transformar evidências históricas em desafios interativos que envolvam a comunidade contemporânea.]

Este é o ponto de partida de uma oficina que pretende promover a criação de escape rooms científicos, combinando storytelling, gamificação e aprendizagem experiencial. Em 180 minutos, os comunicadores de ciência participantes utilizam uma metodologia ágil de cocriação para o desenvolvimento de mecanismos de motivação e retenção do conhecimento para o público em geral. 

O programa inclui três módulos aplicados a um desafio comum:

  1. Ciência como Narrativa – transformar conteúdos científicos em histórias e enigmas envolventes;

    Conteúdos-chave: Storytelling científico: conflito, curiosidade, emoção e descoberta; Conversão de conceitos científicos em desafios, pistas e enigmas.

  2. Design de Escape Rooms Científicos – estruturar experiências imersivas, integrar o método científico e garantir acessibilidade; Conteúdos-chave: Estrutura narrativa e funcional de um escape room; Tipos de puzzles científicos: lógica, observação, dados e experimentação; Acessibilidade, inclusão e adaptação a diferentes níveis de literacia científica.

  3. Gamificação para Impacto – aplicar mecânicas de jogo e avaliar aprendizagem, envolvimento e adaptação a contextos educativos, museológicos e digitais;

    Conteúdos-chave: Mecânicas de gamificação: feedback, recompensas, cooperação e competição; Emoções, motivação e aprendizagem experiencial; Avaliação de impacto: aprendizagem, envolvimento e retenção. 

Referências: Dahlstrom (2014); Deterding et al. (2011); Nicholson (2015); Hamari et al. (2014); Wouters et al. (2013).

Formador: Hêrnani Zão

Número de vagas: 15-20 pessoas

Materiais a levar pelos/as participantes: a definir

 

O2. Co-criação de (An)arquivos como prática para a imaginação de futuros

Os arquivos podem ser considerados repositórios de memórias e conhecimentos, que salvaguardam a história para as gerações futuras. Mas que memórias, conhecimentos e histórias são salvaguardados? Como garantir diversidade de vozes, conhecimentos e olhares? Como construir repositórios dinâmicos, participativos, não hierárquicos e experimentais?

Partindo do tema “(An)arquivo da Terra”, esta oficina será estruturada no formato de um laboratório de co-criação que propõe explorar o conceito de anarquivo e o seu potencial para a construção de repositórios que desafiam práticas estáticas ao incorporar objetos diversos - físicos, efémeros, especulativos. A oficina propõe desconstruir a ideia de arquivos e questionar como "arquivar", de forma transdisciplinar e participativa, conceitos abrangentes como, por exemplo, o clima, o Antropoceno ou o futuro.

A partir da experimentação prática e cocriação de um (an)arquivo participativo, espera-se que os participantes contribuam para a reflexão desta metodologia como ferramenta para a promoção de uma literacia de futuros e pensamento crítico sobre as relações entre humanos, não-humanos e a Terra.

A oficina será divida em cinco etapas: 1. Apresentação de estudos de caso (participativos ou autorais, de diferentes áreas como artes, ciências e práticas museológicas); 2. Apresentação de objetos escolhidos pelos participantes para integrar um Arquivo da Terra; 3. Metodologias para Anarquivar a Terra, onde os participantes serão convidados a - individualmente e em grupo - questionar os limites de um arquivo e co-criar novos objetos anarquivistas; 4. Montagem de exposição pop-up com o Anarquivo da Terra criado pelo grupo; 5. Discussão sobre o processo de co-criação e potencial de aplicabilidade da metodologia nos contextos de trabalho dos participantes.

Formadores: Natália Melo, Daniela Salazar e Leonel Alegre

Número de vagas: 15-20 pessoas

Materiais a levar pelos/as participantes: a definir

 

 

O3. Para lá da disseminação: envolver stakeholders na ciência desde o início

Comunicar ciência é muito mais do que divulgar resultados. Contudo, muitos projetos científicos continuam a tratar o envolvimento de stakeholders (decisores políticos, sociedade civil, profissionais de diversos setores, cidadãos) como uma etapa final, quando deveria ser uma dimensão integrada desde o início. Esta oficina oferece uma introdução prática às abordagens participativas, destinada a comunicadores de ciência que querem ir além da disseminação tradicional e a investigadores que procuram desenhar estratégias de envolvimento do público mais eficazes.

A sessão organiza-se em torno de três questões:

  • Porquê envolver? Exploramos os argumentos para uma abordagem participativa e a evolução do modelo do défice para o diálogo e a participação.
  • Quem envolver? Abordamos o mapeamento de stakeholders e de públicos, critérios de priorização e compreensão das motivações dos participantes.
  • Como envolver? Apresentamos uma panorâmica de métodos participativos e os papéis que diferentes atores podem assumir.

A oficina é altamente interativa. Cada bloco temático alterna entre breves apresentações e atividades práticas incluindo discussão em grupo sobre as experiências dos participantes, exercícios de mapeamento de stakeholders aplicados aos seus próprios projetos, e desenho colaborativo de uma atividade de envolvimento do público. A sessão termina com partilha de resultados e discussão coletiva.

No final, os participantes serão capazes de:

  • articular o valor do envolvimento do público no seu contexto;
  • identificar e priorizar stakeholders relevantes;
  • e selecionar formatos de envolvimento adequados a diferentes propósitos e fases.

Plano da sessão (120 minutos):

  • Boas-vindas e apresentação dos participantes (20 min)
  • Porquê envolver? Apresentação e discussão em grupo (20 min)
  • Quem envolver? Ferramentas de mapeamento e exercício prático (30 min)
  • Como envolver? Panorâmica de métodos e desenho colaborativo de uma atividade de envolvimento (45 min)
  • Partilha de resultados e encerramento (5 min)

A Stickydot oferece esta formação no âmbito da sua participação no projeto europeu COALESCE (Horizon Europe), que está a construir o Centro Europeu de Competências para a Comunicação de Ciência (European Competence Centre for Science Communication)

Formador: Alexandre Torres, da equipa Stickydot.

Número de vagas: 15-20 pessoas

Materiais a levar pelos/as participantes: A definir

 

 

O4. Animar a Ciência: introdução ao Stop Motion

Esta oficina tem como objetivo capacitar comunicadores para utilizarem técnicas de stop-motion e storytelling como ferramentas criativas de comunicação de ciência. Num contexto em que é cada vez mais necessário envolver públicos jovens e diversificados, o cruzamento entre arte e ciência permite transformar conceitos complexos em narrativas visuais acessíveis, emocionais e memoráveis. A produção de um vídeo de animação como output final promove elevado envolvimento, pensamento crítico e apropriação do conhecimento, oferecendo aos participantes uma ferramenta prática, replicável e alinhada com os formatos digitais contemporâneos.

A sessão inicia-se com boas-vindas e enquadramento (10 min), seguida de uma introdução aos princípios básicos de storytelling aplicado à ciência e às técnicas de stop-motion (20 min). Posteriormente, serão explorados métodos, materiais e equipamentos necessários para implementar esta abordagem em diferentes contextos educativos e de outreach (30 min). A componente central será prática: em grupos, os participantes irão planear e produzir um pequeno filme de animação científica (1h30), aplicando as técnicas aprendidas. A sessão termina com a apresentação e discussão dos vídeos produzidos (30 min), promovendo reflexão crítica e partilha de aprendizagens.

A oficina destaca-se pela sua versatilidade e caráter inovador. O visual storytelling aplicado à ciência constitui uma abordagem criativa que pode ser adaptada a múltiplos públicos e contextos, formais ou informais. Trata-se de uma metodologia acessível e de baixo custo, que utiliza materiais simples e equipamentos comuns (ex.: smartphones), democratizando a produção de conteúdos científicos digitais.

A dinamização será assegurada por Inês Ferreira Guedes, Gonçalo Brito e Rita Costa Abecasis, profissionais com experiência consolidada em comunicação de ciência, educação sobre o oceano e produção de conteúdos digitais. A complementaridade das suas competências garante uma abordagem sólida, prática e inspiradora.

Formadores: Inês Ferreira Guedes, Gonçalo Brito e Rita Costa Abecasis

Número de vagas: 15-20 pessoas

Materiais a levar pelos/as participantes: A definir