Realizar o SciComPt2026 em Évora é uma afirmação de princípio: a comunicação de ciência ganha profundidade quando dialoga com o território, com a sua história e com os desafios que nele se inscrevem. Cidade património mundial, universitária e em transformação, Évora oferece um contexto singular para pensar a ciência não apenas como produção de conhecimento, mas como herança cultural e compromisso com o futuro.

Num tempo marcado por incerteza, desinformação e urgência climática, comunicar ciência é também um exercício de responsabilidade coletiva. O Alentejo, frequentemente associado à ideia de periferia, revela-se um espaço fértil para questionar dicotomias simplistas entre centro e margem, tradição e inovação. Aqui convivem uma memória longa, visível no património material e imaterial, e respostas contemporâneas a problemas complexos, desde a sustentabilidade ambiental à reconfiguração social e económica do território.

Évora é, por isso, um lugar privilegiado para discutir como a comunicação de ciência pode contribuir para a construção de futuros mais sustentáveis, inclusivos e culturalmente enraizados. A presença da Universidade de Évora, no contexto da Aliança Universitária EU GREEN, reforça esta ambição ao colocar a sustentabilidade no centro do debate académico e social. Em paralelo, a preparação da cidade para Capital Europeia da Cultura 2027 sublinha uma ideia fundamental: ciência também é cultura, e a sua comunicação é uma forma de expressão cultural que molda a forma como entendemos o mundo.

A história do pensamento científico e pedagógico na região, associada a figuras como Luís António Verney, recorda-nos que o questionamento, o método e o pensamento crítico sempre foram motores de progresso. Trazer o SciComPt para Évora é, assim, um convite a revisitar legados, mas também a repensar práticas e linguagens, adaptando-as às realidades contemporâneas e às necessidades das comunidades.

O SciComPt2026 pretende ser um espaço de encontro entre investigadores, comunicadores, educadores, jornalistas, artistas e cidadãos, promovendo diálogos que ultrapassem disciplinas e formatos. Num território marcado por uma forte densidade histórica e cultural, o congresso propõe olhar para a comunicação de ciência como um património vivo — algo que se constrói continuamente, em interação com a sociedade, e que deve ser cuidado para as gerações futuras.

Neste contexto, o congresso estrutura-se em torno de três eixos centrais:

Memória
Revisitar a história da Comunicação de Ciência, reconhecer percursos, práticas e protagonistas que moldaram o campo.

Identidade
Afirmar a Ciência como parte integrante da Identidade Cultural e a sua Comunicação como reflexo dos contextos sociais, territoriais e culturais.

Sustentabilidade 
Promover práticas de comunicação de ciência que contribuam para preparar o futuro, respondendo aos desafios ambientais, sociais e epistemológicos do nosso tempo.